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quinta-feira, 13 de agosto de 2009

templo de satã

Este F.A.Q. (Frenquently Asqued Questions), foi elaborado pela Associação Satânica Portuguesa, que pode ser acessada clicando-se aqui, e está publicado aqui com a autorização do grupo. O texto foi mantido intacto, inclusive as grafias Satan e outras que se encontram em sua forma original.

Perguntas Frequentes

0. Nota introdutória
1. O que é o Satanismo?
2. O que é ser-se Satanista?
2.1. Qual é a diferença entre ser-se Satanista e ser-se Satânico?
2.2. Quando é que uma pessoa se pode dizer Satanista?
2.3 E os Satânicos da moda?
3. O que significa Satan?
4. Os Satânicos não respeitam as leis ou a sociedade?
5. O que é uma Missa Satânica?
5.1 E os adoradores do Diabo (Devil Worshippers)?
6. Existem Pecados Satânicos?
7. Como encara o Satanista a vida após a morte? Céu ou Inferno?
8. O que são Rituais Satânicos?
8.1 Que tipo de Rituais Satânicos existem?
9. Os Satanistas realizam sacrifícios?
10. Que teoria é essa de que todas as crianças nascem Satânicas?

0. Nota introdutória

Este F.A.Q. foi criado, não para justificar ou revelar algo, não para comparar crenças ou provar quem está certo, mas para ajudar a acabar com a ignorância que envolve o Satanismo.

O Satanismo, à semelhança de qualquer outra "crença", ou ideologia, o que a torna directamente "boa" ou "má" não é a sua filosofia mas sim as pessoas que se dizem suas seguidoras; o que mata e mutila não é o Cristianismo, o Satanismo ou o Islamismo mas sim os Cristãos, os Satanistas e os Muçulmanos, e lá porque um Cristão mata não quer dizer que todos o façam, ou porque um Satanista é imbecil não quer dizer que todos o sejam, ou porque um Muçulmano resolve fazer um sacrifício para seja lá qual for a divindade, mesmo que isso não faça parte da crença da religião dele, que todos os Muçulmanos também o façam.

A história está cheia de exemplos de más interpretações, antes de deturpar, tecer juízos de valor, condenar, informe-se. Exerça o seu direito à inteligência.

Julgar alguém pelas suas crenças, pela sua precedência, pela sua árvore genealógica e/ou família, cor ou até mesmo gosto musical, é idiotice preconceituosa repleta de ignorância, e o subsequente medo que esta gera resulta no racismo. Quando uma pessoa o faz reúne tudo o que alguém, ou um grupo, fez de estúpido e desagradável aplicando-o a uma população inteira apenas porque esta apresenta traços físicos semelhantes ou porque esta compartilha aparentemente das mesmas ideias.

O Satanista não julga a pessoa pela sua cor, raça ou status social mas sim pelas suas acções, pelo seu accomplishment, a sua honra e a sua inteligência. Não deverá o Cristão, o Judeu ou o Muçulmano ter o bom senso de fazer o mesmo? Ou então que não se pregue o amor incondicional a todos os filhos de Deus, porque "sendo filhos do mesmo Pai somos todos irmãos".

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1. O que é o Satanismo?

O Satanismo, antes de ser uma religião, é uma filosofia. Se o despir dos seus simbolismos, rituais, celebrações e dogmas, terá um conjunto de "bases" que acima de tudo exaltam o "deus" que existe dentro de cada um de nós, sejamos Satanistas ou não.

Para o Satanista, Deus, o Diabo, Anjos e Santos não passam de fragmentos da personalidade de cada um. Quando alguém exterioriza esse "Deus" ou "Diabo" o que está a fazer é deixar a sua majestade natural de lado para adorar ideias que não são suas, e de maneira indirecta adorar a pessoa que criou essas ideias. Ou seja, o Satanismo não é a adoração do Diabo ou uma versão às avessas do Cristianismo, mas sim a exaltação do "Eu". A fuga de padrões pré-estabelecidos para a criação dos seus próprios padrões, criados por si para si: O individualismo.

É este um dos principais motivos de ataques à Igreja Católica e ao Cristianismo (além, claro, dos constantes ataques deles ao Satanismo, querendo de qualquer forma livrar a Terra da ameaça que representamos). O Satanismo não se encontra em posição antagónica à cristã por constituir adoração ao seu eterno adversário, mas porque o Satanismo representa liberdade filosófica e espiritual, individualismo e criatividade, enquanto que o Cristianismo prega obediência a um Deus omnipotente e ao seu filho carnal que veio à Terra, sem que os seus seguidores possam sequer questionar ou argumentar contra as causas e motivos dessa obediência. O Cristianismo é em essência a negação da verdade do Homem.

O Satanismo é contra o modo de ser da crença Católica, variantes das Cristãs, ou qualquer outra em que se adore um Deus ou uma divindade exterior; ou é eleita uma pessoa para ser a representante viva de um Deus ou de uma Deusa ou dos deuses na Terra… Esta pessoa é tida por superior e seguida por pessoas que são tão humanas como ela.

A nossa oposição estende-se a crenças onde se adora um Deus pai e uma Deusa mãe; um Deus pelo qual se pode cometer crimes, terrorismo, massacres e fazer Guerras Santas; ou qualquer outra crença (a imaginação humana criou centenas de mitos e deuses) em que se deixe de parte o Humanismo e se criem alvos de adoração divina.

No Satanismo cada ser vivo é o seu próprio Deus e governante, cada um é responsável pelos seus actos e o seu modo de ser. Cada um é o seu próprio sacerdote, salvador e Deus.

2. Ser-se Satanista

Para se ser um Satanista não é necessário afiliar-se a algum grupo satânico, conhecer outros Satânicos, realizar rituais, cerimónias ou adorar demónios.

O Satanista não adora nada nem ninguém!

Ele demonstra respeito por quem conquistar o seu respeito.

2.1. Qual é a diferença entre ser-se Satanista e ser-se satânico?

A diferença entre Satanista e satânico reside apenas na gramática portuguesa. Satanista é um substantivo, e como tal, é utilizado com determinantes: Um Satanista; o Satanista. Satânico é um adjectivo, logo serve para classificar o sujeito: ele é satânico; a bíblia é satânica. Resumindo: Ele é um Satanista e/ou ele é satânico.

Referir a pessoa como Satanista apenas quando ela segue o Satanismo descrito por LaVey, e como satânico quando adora o diabo, é um erro muito comum e completamente falso. É apenas uma questão de português correcto.

2.2. Quando é que uma pessoa se pode dizer Satanista?

Devido a ser uma filosofia, antes de ser uma (i)religião, uma pessoa não se "converte" ao Satanismo, ela nasce satânica e depois descobre-se Satanista.

Não se pode mudar as crenças pessoais de alguém da noite para o dia, ou mesmo durante uma vida inteira. Se a pessoa já tiver os seus princípios "formados", o seu código moral, estes irão acompanhá-la por toda a sua vida. Durante esse tempo vários novos conceitos serão acrescidos, novos pontos de vista surgirão para substituir ou complementar os já existentes.

A base dos princípios filosóficos pessoais de alguém permanecerá a mesma. Por isso é que não se pode converter alguém ao Satanismo. Ou a pessoa nasce Satanista ou não. É por isso que ninguém "se torna" um Satanista, apenas descobre que existem outras pessoas que pensam de igual forma e assumirão para si um rótulo. Chocante é certo. Mas só à luz dos dogmas religiosos dominantes.

Quando somos crianças todos temos tendências satânicas, somos instintivamente satanistas... simplesmente com o crescimento e a influência do meio, perdemos a indulgência inata, devido a isso nos ser imposto por outras religiões.

O Satanista não precisa de saber o que é um Baphomet nem ter visto um pentagrama em toda a sua vida. Eles não passam de símbolos representando ideias. Essa simbologia, assim como nomes de demónios, rituais e cerimónias são apenas maneiras de exercitar o subconsciente da pessoa, para ajudá-la a focalizar todas as suas acções num objectivo que ela pretenda alcançar.

Concluindo, ser Satanista é reconhecer que não existe nada mais poderoso e sagrado do que o Homem. Que a "grandiosidade" e o "poder" de uma pessoa são medidos pelas suas acções o seu sucesso e a sua honra, e que todo tipo de vida é sagrado.

Amar aqueles que mereçam esse amor, respeitar aqueles que ganharam esse respeito, ajudar quem o ajudaria e desprezar aqueles que o desprezam; em vez de fingir que se preocupa com quem não é digno da sua estima.

2.3. E os Satânicos da moda?

Existem inúmeros casos de pessoas que se sentem atraídas pelo Satanismo, pela rebelião contra o sistema, pela liberdade pessoal. Essas pessoas são em sua grande maioria adolescentes e jovens adultos que entram numa fase satânica para impressionar as pessoas que fazem parte de seu meio e numa fase posterior acabam por se impressionar a si mesmas. Mas como qualquer fase, ela acaba por passar e essas pessoas deixam o Satanismo de lado para seguir com a sua vida.

3. O que significa Satan?

"Satan" é uma palavra de origem hebraica que significa: adversário, opositor, inimigo.

É muito fácil para o Cristianismo chamar Satan ao opositor de Deus, ou seja: o Diabo; vindo daí o gravíssimo mal-entendido de que os Satanistas adoram o Diabo cristão.

Para o Satanista isso é um absurdo, porque ele simplesmente nega a existência de deuses/demónios, ou divindades.

Se há pessoas que realmente adoram o Diabo cristão, e lhe fazem cultos, rituais, pactos de sangue, lhe vendem a alma, sacrificam virgens, matam galinhas, molestam crianças, etc. e no fim se intitulam de Satanistas, estão a cometer uma grave difamação ao que realmente é o Satanismo. Não passam de adoradores do Diabo (Devil Worshippers) ou Pseudo-Satanistas.

De maneira nenhuma se pode chamar a essas pessoas de Satanistas Tradicionais ou Medievais. A palavra Satanismo só teve a sua definição em meados de 1966, quando Anton Szandor LaVey criou a Church of Satan.

Satan é encarado como uma força oculta na Natureza que nos motiva de modo a conseguirmos o que desejamos. A personificação na mente do Satanista dos seus ideais, e não uma entidade ou divindade viva que se possa adorar.

Também é normal encontrar-se Satã, ou Satanás, e estão ambas relativamente correctas. São a tradução, impura, de Satan, para português.

As 9 Afirmações Satânicas, descritas por Anton LaVey na Bíblia Satânica, descrevem correctamente o que representa Satan:

1 - Satan representa indulgência e não abstinência!

2 - Satan representa a essência de vida e não fúteis sonhos espirituais!

3 - Satan representa conhecimento sem limites e não auto-ilusão hipócrita!

4 - Satan representa bondade para aqueles que o merecem e não amor desperdiçado em ingratos!

5 - Satan representa vingança e não dar a outra face!

6 - Satan representa responsabilidade para os responsáveis e não preocupação com vampiros psíquicos!

7 - Satan representa o homem como apenas mais um animal, algumas vezes melhor, na maioria das vezes pior que aqueles que andam em quatro patas, que, por causa do seu "desenvolvimento intelectual e espiritual divino" se tornou no animal mais perverso de todos!

8 - Satan representa todos os denominados pecados, uma vez que que todos eles conduzem a gratificação física, mental e emocional!

9 - Satan tem sido o melhor amigo que a Igreja jamais teve, já que a manteve em funcionamento todos estes anos!

4. Os Satanistas não respeitam as leis ou a sociedade?

O Satanismo persegue a satisfação dos desejos inatos, a auto-preservação e acima de tudo o bom senso. Só porque não concorda com alguma coisa não quer dizer que a tenha de ignorar completamente.

Vivemos numa sociedade que possui leis e normas que, em primeiro lugar, visam a manutenção da ordem, para que numa cidade onde moram milhares ou milhões de pessoas, elas não saiam à rua matando-se umas às outras.

Antes de fazer as suas próprias leis, deveria em primeiro lugar considerar o porquê das leis actuais existirem. O que à primeira vista parece que só serve para ficar no seu caminho e o atrapalhar, impedindo-o de atingir um objectivo, pode acabar por se revelar numa lei que garante uma série de direitos seus.

Numa sociedade onde centenas de pessoas vivem num espaço mínimo, o pouco espaço que elas têm sua à disposição deve ser respeitado. Se por algum motivo, seja ele qual for, invadir o espaço de alguém, está a dar o direito a essa pessoa e a qualquer outra de igualmente invadir o seu espaço.

Muitos factores devem ser tidos em consideração quando assumimos que Satan representa a satisfação dos desejos e não a abstinência. Se uma pessoa acha que está tudo bem em roubar um CD porque tem muita vontade de ouvi-lo, ou em roubar um carro para dar uma volta ou para vendê-lo porque está necessitada, ou para sustentar algum vício… Ela tem que considerar o passar tempo na prisão, cercada de assassinos, ladrões, violadores e marginais. Se mesmo assim achar que o prazer compensa a punição que pode receber, então que haja em conformidade. O problema é seu. Do ponto de vista do Satanismo, cada um responde pelos actos que comete, atente isso ou não contra a liberdade e a propriedade de outrem, o importante é estar apto a receber a contrapartida a que os seus actos levam.

Claro que ninguém irá atentar contra a sua própria integridade por uma compensação tão efémera como uma volta de carro ou um CD interessante…

O que muitas vezes as pessoas esquecem é que as normas da sociedade foram criadas não só para si, mas para todas as pessoas. Violar, ignorar ou desrespeitar uma delas é da responsabilidade de cada um. Basta lembrar que antes de significar a realização dos prazeres físicos, mentais e espirituais, o Satanismo assume que tudo o que acontece é da responsabilidade do indivíduo, e o Satanista sabe assumir suas responsabilidades; quem foge delas é cobarde e fraco.

O individuo é sempre o centro do universo. Quando as leis vigentes são garante de estabilidade e justiça, há que as respeitar e preservar. Quando ultrapassam ou não alcançam a justiça segundo a visão do indivíduo, gerar-se-á desequilíbrio e para o restabelecer pode ocorrer a violação das leis sociais.

A busca de justiça deve prevalecer sempre, independentemente das leis vigentes. O Satanismo é apologista do Lex Talionis (a Lei de Talião). Morte para quem mata, sofrimento para quem provocar sofrimento.

Se em busca de compensação pessoal, do justo equilíbrio, o indivíduo atentar contra as leis implementadas na sociedade, então seja! Mas há que estar preparado para sofrer as consequências.

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5. O que é uma Missa Satânica?

Nada vem sendo mais associado ao Satanismo do que as Missas Negras/ Missas Satânicas. O que pouca gente sabe é que esse tipo de celebração, que durante séculos foi tido como uma das maiores blasfémias, foi uma invenção da Igreja Católica. Sim, é verdade, uma invenção!

Uma missa onde uma cruz invertida era fixada na parede, uma mulher nua era sacrificada ao diabo, passagens da bíblia católica eram lidas de trás para frente, a comunhão era feita com fezes em vez de hóstias e o auge era uma orgia em nome do demónio. Isto era o que os propagandistas da Igreja Católica expunham quando queriam mostrar, ao bom povo frequentador de igrejas, o que os adoradores do diabo faziam. Esse era mais um método de assustar as pessoas de modo a mantê-las na linha. Não passa de mentiras, amplificadas com o tempo, que fazem jus ao resto das fábulas.

Graças a descrições deste tipo, a Missa Negra tornou-se muito popular alguns séculos após a Inquisição, onde as pessoas das classes mais altas da sociedade realizavam rituais teatrais para convidados, como era o caso dos Hellfire Clubs. Esses rituais acabavam em orgias de sexo, drogas e álcool; ou seja, numa forma que os endinheirados daquela época arranjavam para vencer o tédio. Hoje em dia as Missas Satânicas são realizadas pelo Satanista em busca de diversão, e, é claro, com um sacrifício simbólico em vez de um real, sem atrocidades, sem violações nem abusos de animais ou humanos.

Existem grupos na Europa e no resto do mundo, que ainda hoje conduzem rituais satânicos abusivos. Na televisão, nos jornais, e nos livros são relatados como SRA (Satanic Ritual Abuse). O pior de tudo é que aqueles que os praticam auto denominam-se de Satânicos, o que só traz difamação ao bom nome do Satanismo. E o direito ao bom nome é um direito constitucional.

Por isso a Associação Portuguesa de Satanismo (com a ajuda dos seus contactos internacionais: Church of Satan e vários dos seus Grottos, First Church of Satan, etc.) irá expor a verdade, e denunciar os casos abusivos, ilícitos e criminais.

5.1. E os adoradores do demónio?

O "Devil Worshipper" é o nosso maior inimigo uma vez que além de se fazer valer das fábulas cristãs, justificando-as, também faz passar os seus actos por Satanismo.

Profanação de cemitérios, invasão e destruição de propriedade alheia, mau trato a pessoas e animais, este género de condutas serão por nós prontamente denunciadas às autoridades.

Abram bem os olhos antes de nos confundirem com criminosos!

Abram bem os olhos antes de nos acharem dementes como vocês! Ou habilitar-se-ão a ser tidos debaixo de olho pelas autoridades competentes!

(A A.P.S. tem recebido diversos contactos, quer de pessoas imaturas e/ou psicologicamente desequilibradas, quer denuncias de suspeitas de actividade criminosa.)

6. Existem Pecados Satânicos?

Durante muitos anos as pessoas têm perguntado a dignos representantes do Satanismo (Church of Satan) - uma vez que a filosofia do Satanista é a de satisfazer os instintos naturais do ser humano -, se como as outras religiões, o Satanismo possui pecados. A resposta foi sempre a mesma: "Não!".

Isso aconteceu até alguns anos atrás, quando houve a necessidade de alterar esta resposta. O tempo passou e nas últimas décadas o Satanismo cresceu e tem vindo tornar-se cada vez mais forte, por isso tornou-se apropriado esclarecer alguns pontos. Não somente aquilo que procuramos, como Satanistas, mas também aquilo para o qual trabalhamos para evitar - o que desaprovamos.

A diferença é que, onde outras religiões criam pecados que as pessoas não conseguem totalmente evitar e depois são condenadas e perdem a salvação divina, ou absolvidas pela "divina misericórdia" (mais superstições…); Nós consideramos algumas coisas "pecaminosas"/nefastas mas podem/devem ser evitadas se a pessoa se esforçar. Não são propriamente pecados, mas sim "defeitos" e/ou erros que vão contra os princípios básicos do Satanismo:

1 - Estupidez: O topo da lista no que diz respeito aos Pecados Satânicos. O Pecado Cardinal do Satanismo. É pena que a estupidez não seja dolorosa. Ignorância é uma coisa, mas a nossa sociedade alimenta-se cada vez mais da estupidez. Depende das pessoas seguirem tudo aquilo que lhes é dito. A comunicação social promove uma estupidez tratada como uma postura que não é apenas aceite mas louvada. Os Satanistas devem aprender a ver para além dos truques e não se podem dar ao luxo de ser estúpidos.

2 - Pretensão: Uma postura oca pode ser tremendamente irritante e não aplica as leis cardinais da Lesser Magic. No mesmo patamar da estupidez no que diz respeito ao que mantém o dinheiro a circular nos dias de hoje. Todos são levados a sentir-se alguém importante, quer consigam resultados que o comprovem ou não.

3 - Solipsismo: Pode ser bastante perigoso para os Satanistas. Projectar as reacções, respostas e sensibilidades em alguém que não está provavelmente alinhado com a própria pessoa. É o erro de esperar que as pessoas retribuam a mesma consideração que naturalmente lhes é dada. Não o farão. Em vez disso, os Satanistas devem esforçar-se por aplicar o ditado "Faz aos outros o que eles te fazem a ti." É trabalhoso para a maior parte das pessoas e requer constante atenção, não se vá cair na confortável ilusão que todos são como nós. Como já foi dito, certas utopias seriam ideais numa nação de filósofos, mas infelizmente (ou talvez felizmente, de um ponto de vista Maquiavélico) estamos longe desse objectivo.

4 - Auto-Ilusão: Está n' "As Nove Afirmações Satânicas" mas merece ser repetido aqui. Outro pecado cardinal. Não devemos prestar homenagem a nenhuma das vacas sagradas que nos são apresentadas, incluindo como se espera que nos comportemos. A única altura em que se pode abordar a auto-ilusão é quando ela é divertida, e conscientemente. Mas dessa forma, não é auto-ilusão!

5 - Conformismo de Massas: É óbvio de uma perspectiva Satânica. Não há problema em conformar-se aos desejos de uma pessoa, se em última análise isso nos vai beneficiar. Mas só os tolos seguem as massas, permitindo que uma entidade impessoal dite as regras. A chave é escolher um mestre sabiamente em vez de ser escravizado pelos caprichos das massas.

6 - Falta de Perspectiva: De novo, pode ser muito doloroso para o Satanista. Nunca nos podemos esquecer de quem e o que somos, e que ameaça podemos ser, apenas por existirmos. Estamos a fazer história neste preciso momento, todos os dias. É preciso sempre manter presente a visão histórica e social alargada. É uma peça importante quer para a Lesser Magic quer para a Greater Magic. Observa os padrões e encaixa as peças como pretendes que elas se encaixem. Não sejas coagido pelas restrições das massas - compreende que funcionas num nível diferente do resto do mundo.

7 - Esquecimento de Ortodoxos Passados: Atenção que esta é uma das chaves para a lavagem cerebral que é feita às pessoas para as levar a aceitar algo novo e diferente, quando na realidade é algo que foi outrora amplamente aceite e é agora apresentado numa nova embalagem. É esperado que deliremos com o génio do criador e esqueçamos o original. Isto cria uma sociedade descartável.

8 - Orgulho Contraproducente: A segunda palavra é importante. Orgulho é óptimo até ao momento em que se "atira o bebé pela janela juntamente com a água do banho". A regra do Satanismo é: se funciona para ti, óptimo. Quando deixar de funcionar para ti, se estiveres encurralado e a única forma de sair da situação é pedir desculpa, dizer que nos enganamos, compensar de alguma forma, então fá-lo.

9 - Falta de Estética: Esta é a aplicação física do Factor de Equilíbrio. Estética é importante na Lesser Magic e deve ser alimentada. É óbvio que ninguém consegue na maioria das vezes ganhar dinheiro com standards clássicos de beleza e forma, por isso eles são desencorajados numa sociedade consumista, mas um olho para a beleza, para o equilíbrio, é uma ferramenta Satânica essencial e deve ser aplicada para maximizar a eficácia da magia. Não é o que é suposto ser agradável - é o que realmente o é. Estética é uma coisa pessoal, reflexo da nossa própria natureza, mas há configurações que são universalmente agradáveis e harmoniosas que não devem ser negadas.

7. Como encara o Satanista a vida após a morte? Céu ou Inferno?

Nenhum dos dois. A noção de Céu e Inferno é um conceito Cristão e de outras religiões. O Satanismo valoriza a Vida em vida, e não a vida após a morte.

Desde o início dos tempos que o Homem tem a necessidade de ter uma resposta para a pergunta: "o que acontece após a morte?".

Desde os primórdios da humanidade que já existem registos de rituais funerários que mostram essa necessidade e esse medo do desconhecido que Homem tem. Com o surgimento da religião de uma forma organizada o medo do desconhecido passou a ser utilizado como uma forma de controlo por uma minoria de sacerdotes que foram "iniciados" nos mistérios "sagrados".

O pós-vida passou de grande mistério para forma de infringir medo às massas de modo a controlá-las.

Já que ninguém sabe o que realmente acontece após a morte, não há como provar quem está certo ou errado. Há milénios que os representantes de diversas religiões pintam dois cenários, o de paz, onde encontrará o seu criador, um lugar lindo onde ficará feliz para sempre e o outro, de horrores sem fim, de dor inimaginável, onde irá sofrer, amargurar, e arrepender-se de ter vivido de forma própria, desviada dos dogmas que lhe querem impor.

Infelizmente ainda existem aqueles que se aproveitam disso, para conseguirem em vida o que todos os outros estão terminantemente proibidos de fazer. Chegam a utilizar o medo criado nas pessoas para extorqui-las, manipulá-las, usá-las e aproveitar-se delas.

No Satanismo, a sua vida é muito mais importante do que a sua morte. Se acredita num Céu ou num Inferno isso é problema seu. Como religião não lhe é exigido nada além de que viva a sua vida o melhor que puder, porque não sabe se vai ter uma segunda chance. O Satanista não se deixa manipular por uma pessoa, devido ao medo de um sofrimento que ninguém sabe sequer se existe, e mesmo que exista não imagina o porquê de ser punido por simplesmente ter agido seguindo os seus instintos.

É por isso que o Satanismo religioso não perde tempo tentando explicar, justificar ou insinuar, o que lhe aconteceria se quebrasse alguma regra. Por ser responsável pelos seus actos a sua punição virá em vida, ou seja, o Satanismo é apologista da responsabilidade e não da submissão conseguida pelo medo.

Ser Satanista não é querer ir para o inferno após a morte. É aproveitar a vida enquanto ainda se está vivo e aceitar a justa contra-partida ao cometer infracções. Lex Talionis!

8. O que são rituais Satânicos?

Existem 3 tipos de rituais Satânicos: o Sexual, o de Compaixão e o de Destruição.

Antes de entrar em pormenores sobre a funcionalidade e a execução de cada um, vejamos qual a visão que o Satanismo apresenta da magia e qual a base do seu funcionamento.

Apesar de variar de Satanista para Satanista pode dizer-se que a definição mais utilizada para magia é: "A alteração de eventos ou situações que deixados no seu curso natural permaneceriam inalterados".

Esta definição deixa em aberto uma grande margem para interpretação. Mas será algo como mudar cada recurso que possui à sua disposição, para alcançar um determinado fim, seja ele conquistar uma pessoa, arranjar um emprego ou até obter meios para viajar ou conseguir o carro dos seus sonhos.

E é aí que podem entrar os rituais. Os rituais Satânicos são maneiras para uma pessoa "expor" os seus verdadeiros desejos. Num ritual a pessoa sente-se segura o suficiente para deixar de lado quaisquer inibições que ela tenha, para afirmar em voz alta para ela mesma, ou quem mais ela queira que ouça: "EU QUERO. EU VOU FAZER TUDO PARA CONSEGUIR. EU VOU CONSEGUIR!", e assim sendo, a pessoa livra-se de qualquer "travão" emocional que possa ter para então voltar todo o seu potencial, tempo e recursos, para o objectivo pretendido.

É preciso que se entenda que esta magia nada tem a ver com as ilusões feitas por ilusionistas, como o Luís de Matos, nem são feitiços de pozinhos de pirilim-pim-pim.

Quem acreditar nisso anda a ver Mary Poppins a mais. Ninguém anda a transformar sapos em príncipes, a voar em vassouras, fazer cair dinheiro do céu, ou fazer poções de amor em caldeirões...

O que realmente acontece é um acto de extrema concentração pessoal, utilizando elementos simbólicos, invocando todas as suas energias vitais, para que o seu objectivo seja atingido.

Para se poder realizar a magia Satânica, a pessoa precisa ter em mente cinco ingredientes fundamentais:

I
Desejo: Também conhecido como motivação, tentação ou persuasão emocional. Se não deseja REALMENTE obter um resultado, não deveria sequer tentar realizar qualquer tipo de ritual.

II
Sincronia: Em toda situação de sucesso um dos ingredientes mais importantes é a sincronia correcta. Ao realizar um ritual a sincronia pode significar o sucesso ou o fracasso. A melhor hora para realizar o seu "feitiço" ou "maldição" é quando o seu alvo se encontra no seu estado mais receptivo. Essa receptividade aumenta quando o alvo se encontra no seu estado mais passivo, ou seja, quando dorme.

III
Simbologia: O adolescente que toma extremo cuidado e zelo enquanto grava num tronco de árvore um coração contendo as iniciais do seu nome e da pessoa amada; o rapaz que fica sentado durante horas, desenhando o que para ele é o carro perfeito; a menina que embala a boneca de pano nos seus braços imaginando que é o seu bebé - esses "bruxos" e "bruxas" em potencial, esses magos naturais, estão utilizando o ingrediente mágico conhecido como simbolismo, e o sucesso de qualquer ritual depende dele.

IV
Direccionamento: Um dos ingredientes mais regularmente esquecidos durante a realização de um ritual é o acumulamento e direccionamento da força para um objectivo de forma efectiva. O propósito do ritual é LIBERTAR o mago de pensamentos que iriam consumi-lo, se eles o envolvessem constantemente. Contemplação, sonhar acordado, e o planeamento constante, queimam muita energia emocional que poderia ser acumulada para ser usada como uma força dinâmica útil; sem contar com o facto da produtividade ser severamente incapacitada por tal ansiedade.

V
Factor de Equilíbrio: Este é um ingrediente utilizado na prática da magia ritual mais voltada aos rituais de desejo e compaixão do que nos rituais de destruição. Este ingrediente é pequeno mas extremamente importante. O conhecimento e o entendimento completo deste factor é uma habilidade que poucos possuem. Ela resume-se em simplesmente conhecer o melhor tipo de sujeito e situação para se trabalhar a energia de modo a se obterem os melhores e mais fáceis resultados. Conhecer as suas próprias limitações é uma introspecção até bastante estranha para alguém que deveria ser capaz de realizar o impossível, mas para isso basta lembrar-se que a magia é a própria Natureza, e obter sucesso com a magia significa trabalhar em harmonia com a Natureza e não contra ela…

Uma cerimónia pode ser realizada por uma pessoa sozinha, ou em grupo.

Um ritual em grupo é certamente muito mais eficaz em reforçar a fé e instigar o poder do que uma cerimónia solitária. Um grupo de pessoas unidas por uma filosofia em comum está destinado a renovar a confiança no poder da magia. Mas, assim como a força de uma corrente está condicionada pelo seu elo mais fraco, também num grupo, se houver um participante que não tenha a noção do que está a fazer, e que apenas está lá pela excitação, acabará por enfraquecer a energia do todo.

No caso de um ritual de destruição, às vezes ajuda ao mago se os seus desejos forem intensificados por outros membros do grupo que partilhem a mesma emoção, o mesmo ódio. Não existe nada neste tipo de ritual que possa constranger ou embaraçar o interessado já que os ingredientes essenciais são o ódio e a destruição simbólica da vítima. No caso de um ritual de compaixão com lágrimas ou um ritual sexual com orgasmos embutidos, será melhor a prática solitária.

8.1 Que tipos de Rituais Satânicos existem?

Ritual Sexual: Tem o propósito de criar desejo por parte da pessoa que você ambiciona, conseguir um parceiro/a sexual para satisfazer todos os seus desejos ou alcançar algum objectivo que você deseje intensamente.

Ritual de Compaixão: O ritual de compaixão ou sentimental é realizado com o propósito de ajudar os outros ou a si mesmo. Saúde, felicidade doméstica e nos negócios, sucesso material e escolar são algumas das situações que podem ser beneficiadas num ritual de compaixão.

Ritual de Destruição: É a cerimónia utilizada para o ódio, perturbação e desdém. É conhecido como maldição, ou agente destruidor.

9. Os Satanistas realizam sacrifícios?

Para o Satanista, se o mago ou a feiticeira for digno de tal título, ele ou ela deverá ser capaz de libertar a energia necessária do seu próprio corpo, da sua essência vital e não de qualquer outra vítima utilizada contra a sua vontade.

O possível uso de um sacrifício humano num ritual não significa algo abatido para "acalmar os deuses", ou outra coisa qualquer...

A vítima é destruída simbolicamente, através de uma imagem ou de algo que a represente.

SOB NENHUMA CIRCUNSTANCIA um verdadeiro Satanista sacrifica um animal, um bebé ou outro humano. O Homem, como animal, é o "deus" do Satanista. Animais e crianças que ainda não atingiram a idade em que tem início a negação dos desejos naturais, são a mais pura forma de existência vital. Eles podem percepcionar coisas que um adulto jamais conseguirá. Portanto, o Satanista considera esses seres como sendo sagrados, sabendo que tem muito a aprender com estes magos naturais do mundo.

Existem, porém, grupos criminosos que realizam sacrifícios não-simbólicos com animais e humanos. Estas seitas que depois reclamam para si a designação de Satanismo, para impor respeito, ou recebem dos media esta categorização, não passam de cristianismo subvertido de forma atroz. São grupos difamadores, que não têm NADA a ver com o verdadeiro Satanismo.

10. Que teoria é essa de que todas as crianças nascem Satânicas?

Se reflectir um pouco, constatará que a religião não é algo inato. Ou seja, não é dada como certa à nascença. Não é correcto dizer que uma criança ao nascer vai seguir o Deus cristão, ou servir Alá. Mas é correcto dizer que a criança ao nascer é indulgente, que não se priva dos seus desejos mais naturais, e que faz tudo para conseguir o que deseja a um dado momento.

Quem lida com crianças ainda muito novas, repara com certeza que ao serem contrariadas criam uma reacção adversa, de recusa absoluta, por coisas que ao olho do adulto são insignificantes, mas que pela visão criança são indispensáveis. A criança também não tem tendências suicidas, ou dilemas existenciais. O máximo que pode acontecer-lhe são acidentes por ignorância sua, ou por desprezo da parte dos pais.

O Homem ao longo da infância e adolescência vai adquirindo conjuntos de informação, que indirectamente, ou directamente, o vão alterando e consequentemente fazem-no perder a sua indulgência. Na criança, enquanto nova, isso não acontece. Se ela quer, faz tudo ao seu alcance para o conseguir. Os seus meios são choros, gritos, amuos, etc.

Nunca notou que basta realizar o desejo de uma criança, para instantaneamente cessar o seu descontentamento? Ela não chora por dor, ou sofrimento, ela chora porque é o único meio que tem para conseguir manifestar a sua vontade suprema e obter o que deseja.

Se fosse possível realizar uma experiência colocando uma criança muito nova, sozinha, numa ilha deserta, e utopicamente, ela sobrevivesse até à idade adulta, e então nessa altura a confrontasse com qualquer religião, fosse ela a cristã, a islâmica, a budista, a satânica, etc. Ela não saberia o que isso era. Ela não saberia o que era a bíblia cristã, ou Jesus... O máximo que ela saberia era que estava viva, que tinha necessidades físicas, e desejos, e uma delas era o sexo. Não só para reprodução, mas por prazer. Poderia atribuir a um deus, um ente exterior a ela, a razão pela qual chovia, fazia sol, ou trovejava. Mas isso já antigamente acontecia e hoje sabe-se muito bem que são fenómenos puramente científicos e que nada têm a ver com divindades. Interiormente ela era Satanista. Caçava para comer, defendia-se para sobreviver.

Concluindo, a base do Satanismo: o desejo, a indulgência, a aquisição de prazer são inatos. Faz parte da evolução humana. Se mais tarde a pessoa se torna cristã, islâmica, budista, etc. é simplesmente por imposição, ou por influência do meio.

Esperamos que estas perguntas e respostas o tenham ajudado a entender o Satanismo como ele realmente é, e não como qualquer religião espiritual ou os media o pintam.
Há muito mais a dizer sobre Satanismo. Tentámos expor apenas os pontos principais. Este "manifesto" estará sujeito a actualizações constantes. Se tiver alguma sugestão ou duvida adicional, por favor contacte-nos e teremos o prazer de o esclarecer.

REGE SATANAS!

AVE SATANAS!

HAIL SATAN!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

mitologia mexicana

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A visão de Huitzilopochtli usada nas armas do Império do México de um antigo mapa espanhol
No período da conquista do México por Cortês, a cidade Tenochtitlán (presentemente a Cidade do México) tinha uma aparência imponente. Várias lendas localizam a sua fundação com sendo contemporânea de Huitzilopochtli. A mais popular dessas lendas relata como Nahua nómada observou, escarranchado num cacto, uma águia enorme e majestosa, levando nas garras uma enorme serpente e estendendo as asas para apanhar os raios do sol nascente. Os xamãs da tribo, lendo nisso um bom presságio, aconselharam os seus chefes a instalar-se naquele local e, ouvindo a voz daquilo que consideravam a autoridade divina, começaram a levar pilares para aquele chão pantanoso, lançando, assim, as fundações da grande cidade de Tenichtitlán, ou México.
Uma elaboração desta lenda conta-nos como os Astecas, por volta do ano 1325, procuraram refúgio na margem ocidental do lago Texcoco, numa ilha entre pântanos, onde encontraram uma pedra. Quarenta anos antes, um dos seus sacerdotes tinha ali sacrificado um príncipe chamado Copal que tinha sido feito prisioneiro. Uma planta nopal teria nascido numa fresta cheia de terra deste rude altar, em cima dele, e via-se a águia real, a que se aludiu neste relato, agarrando a serpente nas garras. Considerando isto um bom presságio e impelido por um impulso sobrenatural que não conseguia explicar, um alto sacerdote atirou-se a um lago onde se encontrou frente a frente com Tlaloc, deus das águas. Depois de uma entrevista com a divindade, o sacerdote obteve permissão para fundar a cidade naquele local, de cuja humilde fundação surgiu a metrópole do
México-Tenochtitlán.


Figura em cerâmica de Xipe,
(o Esfolado).Xipe era um deus
das trevas muito adorado com sacrifícios humanos no México.
Xipe Totec era o funesto deus do sacrifícios humanos, tinha características simuladoras ou fantasmagóricas. Era tido na maior veneração, pois foi o primeiro a abrir ao povo o caminho dos céus. Mas também era o "bebedor nocturno", vampiro que sugava o sangue dos penitentes durante o sono. Poucas divindades eram tão temidas pelos pobres camponeses mexicanos, pelos malfeitores e pelos inimigos tribais dos Astecas, que lhe eram habitualmente sacrificados depois de um combate simulado.
Quando ainda era homem, Totec foi para a montanha Catcitepulz, planalto coberto de espinhos, para viver uma vida de reclusão e penitência. Uma noite sonhou que estava a comtemplar uma figura horrível de tripas de fora. Rogando ao seu Deus que lhe revelasse o simbolismo da figura, ouviu que era a causa da grande abominação do seu povo. Como tal, ordenou que se reunissem, encarregando-os de trazer cordas grossas, para que o miserável espectro, a causa de todos os seus pecados, pudesse ser atado e afastado dali. O povo, fazendo fé nas palavras de Totec, foi conduzido por ele até um determinado lugar selvagem, onde encontrou a figura da morte. As pessoas, depois de a atarem, puxaram-na para trás até caírem uma a uma na cavidade entre duas montanhas que se fechavam à sua volta. Desde então, aí ficaram enterradas. Ninguém escapou, à exceção das crianças inocentes que permaneceram em casa.

Prisioneiros de guerra sacrificados ao deus do Sol. Na altura da conquista espanhola, eram feitos, anualmente, pelos sacerdotes astecas mais de 50.000 sacrifícios humanos
Esta deusa, popularmente chamada de "Deusa das Sujeiras e Imundícies", é a deusa da fertilidade humana, a grande parturiente, a deusa do amor, associada à lua. Nela concentram-se quase todos os atributos próprios da "Grande Mãe Terra" em sua infinita e inesgotável capacidade de dar frutos, aquela da qual nasce tudo.
Por sua capacidade de parir, é associada à mulher madura, à qual protege na gravidez, juntamente com seu bebê. Há uma fusão entre a fertilidade da terra e a fecundidade da mulher pois ambas produzem a vida e encerram dentro de si o mistério da criação. O parto é considerado uma versão microcósmica daquilo que acontece com a Terra. A mãe humana nada mais faz do que imitar e repetir o ato da aparição da vida no seio da terra.
É considerada a patrona das parteiras, médicas e das mulheres que lêem a sorte em grãos de milho. Acredita-se que a prática da medicina e da leitura da sorte nos grãos de milho foram atividades femininas designadas pelos deuses desde o início da humanidade. Estes lhe deramalguns grãos de milho para que com eles curassem e os utilizassem em feitiçarias, o que se acostumaram a fazer hoje em dia.
Num sentido metafórico é associada à mãe protetora e amorosa que dá a vida e protege seus filhos. Quando se diz "Deusa da Sujeira e Imundície" é devido às suas propriedades que a responsabilizam pela sensualidade e excessos de atividade sexual. Ela "contamina"o homem com a obscenidade e a luxúria.
Representa também o arquétipo da guerreira, que corresponde à bravura da mulher em situação de parto, lutando para trazer ao mundo um novo ser.
Deusa de muitos desdobramentos, correspondentes a diversos arquétipos da mulher da América Central.
Chamada de "Flor de Quetzal", Xochiquetzal tem 44 representações. Representa o arquétipo da mulher jovem em pleno vigor sexual. É a divinização da amante, uma deusa essencialmente feminina e seu âmbito é o amor, a volúpia, a sensualidade, o desejo sexual e o prazer em geral. Sua ação também abrange o jogo, o canto, a dança, a alegria, as flores, enfim, tudo aquilo que é bonito. Por essas razões rege a atividade artística de homens e mulheres. É a patrona dos pintores, bordadeiras, tecelãs e escultores.
Conta a lenda que as mulheres nascidas no dia regido por ela podem ter atividades extremas: tanto serem boas bordadeiras como serem prostitutas.
Na mitologia é a esposa de Tlaloc e amante de Tezcatlipoca. Conta-se que ela realizou o primeiro ato sexual e que de seus cabelos formou-se a primeira "mulher-deusa"para que esta se casasse com Piltzintecuhtli, de cuja união nasceu o Deus Cinteotl. Considera-se então que a primeira "mulher-deusa" nada mais é que uma reencarnação, uma metamorfose da deusa Xochiquetzal.
É a protetora das prostitutas livres ou "alegradoras" e das prostitutas rituais ou "maqui", sacerdotisas companheiras dos jovens soldados solteiros, que os acompanhavamnas guerras. Por isto ela é considerada a primeira mulher sacrificada, que morria na guerra, uma vez que as guerras foram instauradas pelos deuses nas eras mais primitivas para que o sol tivesse, por meio dos sacrifícios, a sua comida: sangue e corações.
Esta deusa tem em suas atribuições as atividades amorosas e artísticas da mulher. Além de ser exemplo de vestimenta e penteados das mulheres nobres.

A ação desta deusa está na fertilidade exuberante e na opulência relacionada com a plenitude vital que ressalta e amplifica a vida, tanto humana como a agrícola.
Considerada a Deusa da Planta do Maguey, este arquétipo de mãe tinha quatrocentos seios, o que simbolizava o seu poder nutritivo. Foi transformada em Maguey por causa de sua fertilidade, do poder que tinha de reproduzir e aumentar a vida.
Sua principal imagem ou elemento iconográfico é a planta Maguey em plena inflorescência. Na maioria de suas imagens a deusa está dentro da planta ou ao lado dela.

"A Deusa da Saia de Jade", Chalchiuhtlicue é a deusa das águas terrestres, das águas que fluem. Também era a senhora dos mantimentos, nutrindo os homens para que eles pudessem viver e se multiplicar.
As mulheres nascidas sob seu signo seriam ricas e honradas.
Seus atributos se referem ao aspecto aquático, seu meio de ação por suas características de fecundação e germinação, fonte de vida por excelência. A água era igualmente importante como fator de pureza, nas cerimônias rituais de lavar o corpo com água, o que permitia a purificação, a regeneração e o renascimento.
Quando as parteiras lavavam um recém-nascido invocavam-na para oferecer-lhe ser a encarregada do destino da criatura dizendo: "llegais a Nuestra Madre y Padre la Señora Chalchiuhtlicue...toméis ella, porque ella os ha de llevar a cuestas y en los brazos en este mundo".
São um arquétipo para aquelas mulheres que morriam ao dar à luz em seu primeiro parto. Eram chamadas "Cihuapipiltin"(mulheres nobres) ou "Cihuateteo"(mulheres divinas). Estas valentes mulheres eram divinizadas e adoradas com magia, sendo que partes dos seus corpos eram consideradas sobrenaturais.
Eram equiparadas aos guerreiros e às mulheres mortas na guerra e eram responsabilizadas pelos adultérios.
Consideradas seres temíveis e perigosos, manifestavam-se em cinco datas específicas, quando desciam à terra e andavam juntas pelos ares.
Com estreita relação com as Cihuateteo, Itzpapalotl é a mãe terra em seus aspectos mais fúnebres. Chamadas também de "Mariposa de Obsidiana".
Sua força e seu poder são da mulher sábia e anciã, apresentando-se como o arquétipo divino da maga que obteve aprendizado e experiência durante sua larga existência. Tinha caráter de feiticeira.
Dentro de sua esfera de ação corresponde ao arquétipo da primeira mulher sacrificada e aos aspectos de guerra e morte.
"Aquela que está no lar", ao pé do fogão, deusa do fogo terrestre, ficava no fogão da casa, diante do qual se realizavam várias cerimônias ao longo do dia.
Foi especialmente venerada por joalheiros, gravadores em pedra, lapidadores e polidores.
Chantico foi a primeira mulher a não jejuar antes de fazer oferendas aos deuses e por isso foi castigada por Tonacatecuhtli, o senhor dos mantimentos e transformada em cachorro.
Outro aspecto importante desta deusa é que se atribui a ela, com a participação de outros deuses, a invenção da joalheria. A ela, em particular, os cosméticos femininos.
A ela corresponde assumir o poder feminino como tal, o aspecto da feminilidade, da delicadeza e graciosidade. Mas também representa a força propícia para as artes mágicas das mulheres, como outras deusas.
Conhecida como a "Señora del Mictlan", sua esfera de ação é a morte.
A grande Mãe Terra se manifesta em forma de uma dupla força: criadora por um lado e destrutiva por outro. A força destrutiva ou desintegradora busca, a todo momento detruir para dar origem novamente à vida. Desta forma se iniciava o eterno ciclo da vida e da morte.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

eduardo costa

Acabou o Amor

Eduardo Costa

Olha, estou tentando entender
Seu adeus e o que mandou me dizer
Que acabou o amor
Que o amor acabou

Que acabou o amor
Que o amor acabou

Olha, estou tentando aceitar
Seu adeus e o que mandou me avisar
Que acabou o amor
Que o amor acabou

Que acabou o amor
Que o amor acabou

Vou vivendo de lembranças por aí
Quem sabe um dia você cansa e volta pra mim
Não acabou o amor
O amor não acabou

Não acabou o amor
O amor não acabou

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

AMO UM HOMEM CASADO





Se você já está se relacionando com um homem casado, aqui vão algumas considerações.

Se você ainda não se relacionou com homem casado, não se atreva a fazer mal a si mesma.

Se você já está se relacionando, aqui vão algumas considerações.

Você se relacionou com um homem casado porque quis.
Se não tivesse nunca beijado a boca dele, não estaria envolvida. Mas você cedeu, você errou. Agora, está em uma situação complicada, entretanto a solução não é tão complicada assim.

Como você pôde ver nos exemplos do texto anterior, todos eles falam que ele a ama, que irá se separar da esposa, que o casamento vai mal, que não se separa por causa dos filhos etc. Tudo isso é dito porque ele sabe que é isso que vai fazer com que você continue com ele. Ele não está com você porque a ama, mas sim porque é cômodo ter duas mulheres. Se ele briga com uma, tem o conforto da outra. Se a outra começa a fazer cobranças, tem a desculpa de ter que ver a esposa etc.

Se depender dele, a relação de vocês irá durar até você realmente acabar com ela. Se a esposa dele morresse, por exemplo, ele ficaria com você e arranjaria mais uma mulher.
É assim que ele gosta de viver. Ele não tem que aceitar você terminar, você não deve esperar que ele aceite, quem deve decidir é você.
Você deve terminar e nunca mais falar com ele.
Nunca mesmo.
Faça um juramento para si mesma:
"Eu tenho dignidade e não sou burra. Portanto, resolverei a questão pondo um fim nisso".

Você pode estar pensando: “Mas não seria muito radical?” “Será que ele não merece uma chance, dar um tempo para ele se separar da esposa?”.
Ou seja, a indagação se refere a dar um ultimato nele, do tipo “ou ela ou eu, ou você se separa agora, ou termino com você”.
As considerações aqui são para o tipo de relacionamento que já está com mais de 1 ano de “namoro”, sendo o homem aqui do tipo B (conforme explanação no texto anterior), pois se ele for do tipo A, você nem mesmo precisará dar o xeque-mate, afinal, ele mesmo quer terminar o casamento e fará independentemente da pressão que você possa fazer.

Acabar um caso é muito fácil, basta falar: "acabou".
Você irá sofrer sim, mas será o sofrimento que irá te salvará.
Termine e nunca mais atenda ao telefonema dele, nunca mais fale com ele. Chore, chore muito até cansar, até acabarem as lágrimas.
Se você realmente gosta de si mesma, você deixará de ter esse sentimento por ele, afinal, só está lhe fazendo mal.

Uma forma para ajudá-la a esquecer é pensar nos defeitos dele: ele é um cafajeste, sem-vergonha, mau caráter, enganador, traidor, salafrário etc.
Veja todos os defeitos que ele tem, esqueça todas as qualidades, e veja o quanto ele está te fazendo sofrer.
Assim, você ficará com raiva dele.
Se ele gostasse mesmo de você, ele ficaria só com você e não com duas.

Veja, o argumento de que encerrar um casamento é difícil não é válido para justificar a não-separação.
Quantos divórcios temos por ano? Inúmeros! É difícil, mas as pessoas se divorciam.
Se você aceitar esse argumento para continuar sendo a amante, a outra, aquela que está em segundo plano, aquela que tem menos importância na vida dele, é o mesmo que aceitar ser vencida por qualquer dificuldade.
Por exemplo, é como se você aceitasse a idéia de que como o mercado de trabalho é concorrido, desista de entrar nele.
Ou seja, em todos os setores da vida, as pessoas aceitam o desafio de superar as adversidades, mas quanto se trata de relacionamentos, deixam-se vencer, agem como fracos e não vencem os obstáculos, aceitam argumento de que “é difícil” e nada fazem para dominar a dificuldade.

Toda vez que ele disser "eu te amo", entenda que ele está dizendo "você é uma tonta mesmo, basta-me dizer três palavras que você faz o que eu quero, sua burra!" Se você fizer isso, pode ter certeza, você irá esquecê-lo.
Na realidade, o amor que você acredita que estão vivemos, é um amor unilateral, pois se ele realmente te amasse, não deixaria você passar por uma situação tão desagradável.
Quem ama protege o outro de sofrimento.
E ele não só não a protege, como é aquele quem proporciona o seu sofrimento.

Além disso, encontre outro homem, nem que seja para uma noite só (sem sexo, evitando comparações de como o homem casado a tratava e como o novo homem a tratou). Vá a uma balada, saia com amigas. Faça um curativo em sua alma. Pessoas inteligentes são muito burras se não tiverem inteligência emocional. Seja inteligente emocionalmente, ninguém tem que achar que porque se trata de questões do coração, deverá agir de forma irracional. Controle-se e diga para si mesma: “eu consigo, se muitas mulheres já conseguiram, eu consigo também.”

Palavras duras servem para despertar a ira dentro de você e lutar contra isso, pare de se fazer de coitadinha, pois você não é uma coitada, você é a culpada pela situação que você mesma se colocou.

Somos responsáveis por todos nossos atos. Se você está com homem casado, a culpa é sua. Assuma a responsabilidade e assuma o controle de sua vida.

Fácil falar, difícil fazer?

Experimente fazer, você terá orgulho de si mesma.



quarta-feira, 5 de agosto de 2009

rituais satânicos

Estávamos acampados no meio da mata atlântica, fazendo um ritual satânico quando foi tirada esta foto. Ao revelar percebi que algumas delas continham orbs. O que será isto? Eu descarto algum problena nas lentes porque fotos tiradas pouco depois não apresentavam o fenômeno, como na foto em que estou deitado. É importante frizar que naquele momento eu emanava uma enorme corrente de energia negativa...

Quatro jovens mortos em “rituais satânicos”

A polícia na cidade russa de Yaroslavl prendeu um grupo de ‘góticos’ acusado de matar e comer quatro adolescentes em um sangrento ritual Satânico. Os oito supostos Satanistas, de 17 a 19 anos, teriam atraído as vítimas a festas na floresta nos limites da cidade de Yaroslavl, antes de induzi-los a beber e então esquartejar seus corpos. Policiais encontraram os braços e pernas das vítimas em uma vala, vestidos com símbolos Satânicos, e investigadores dizem que cada vítima foi esfaqueada 666 vezes – um número considerado um sinal do demônio”.


Vítimas


No tablóide The Sun há as fotos de dois dos acusados e da cruz invertida no local em que os corpos foram encontrados.

Embora a mídia explore o “Satanismo” em tais crimes e o parlamento russo tenha considerado há algum tempo a repressão à cultura “emo” (no que foi abordado com humor pela rede), é interessante notar que apenas o Telegraph mencione que um dos oito suspeitos já passou por uma instituição psiquiátrica.

No Brasil, há dois anos nove crianças em São Gabriel da Cachoeira, Manaus, teriam se suicidado por influência do culto “satânico” liderado por um professor. No ano passado, um grupo de jovens também participava de rituais com um “vampiro” de 27 anos em Presidente Prudente, São Paulo – neste caso, nenhum sofreu violência física além de terem seu sangue sugado pelo “vampiro”.

É comum agrupar tais casos de suicídios e mortes relacionados com idéias “satânicas”, mas o que você raramente verá é o agrupamento destas trágicas mortes com outras vítimas de crenças mais aceitas socialmente. E que, em números absolutos, geram muito mais vítimas.

Basta uma simples pesquisa para ver que as mortes provocadas por “exorcismos”, por exemplo, são extremamente numerosas e comuns, e no entanto, tal prática é endossada ou permitida por muitos religiosos e autoridades. No Brasil, por exemplo, quase toda madrugada rituais de exorcismo estilizados são exibidos pela TV.

Não consta que o parlamento russo proíba o exorcismo. De fato, ele ainda é praticado pela Igreja Ortodoxa.

Ainda mais ironicamente, a própria repressão ao “Satanismo” mata mais que o Satanismo em si mesmo. O combate muito pró-ativo a tais “forças do mal” mata centenas de pessoas anualmente, principalmente em regiões pobres e supersticiosas da África, Ásia e Oriente Médio. Ainda se queimam “bruxas”.

Não, não estamos defendendo o Satanismo. Pelo contrário, este é evidentemente um agrupamento de idéias idióticas, que crianças vulneráveis podem abraçar sem defesa.

No entanto, mais importante e efetivo que coibir o “Satanismo”, é educar e prevenir a todos, jovens e adultos, contra qualquer “-ismo” prejudicial. Isto porém não interessa a vários “-ismos” absurdos predominantes em nossa sociedade, que em nome de “Deus” podem matar muito mais que os tolos adoradores de “Satã”.

Conhece o Exorcismo de Emily Rose? Esqueça o filme. Na vida real, a garota foi morta por omissão de socorro adequado e pelas práticas absurdas do exorcismo. Os padres não comeram seu corpo para completar os rituais de exorcismo, mas uma jovem foi vítima da mesma forma. Perversamente, “em nome de Deus”.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

fobias

O que são fobias




O medo sempre desempenhou um papel fundamental na adaptação e na sobrevivência da espécie humana. Se não sentíssemos medo, provavelmente a nossa existência já teria sido posta em causa há muito tempo e a nossa espécie desaparecido. É o medo que nos faz proteger e fugir do perigo ou de situações potencialmente perigosas para a nossa existência ou bem estar. É "normal" sentirmos um medo relativo...

Todavia medo não é sinónimo de fobia, pois o medo é adaptativo face ao perigo. O que caracteriza a fobia, e tendo em consideração a perspectiva da Associação Americana de Psiquiatria, é um medo excessivo, irracional, que não desaparece mas que persiste com o tempo, em relação a um objecto ou a uma situação fóbica (ou mesmo apenas pela sua antecipação, por exemplo, pensar que vai ter que voar de avião ou ter de entrar num elevador). Quando o fóbico está exposto à situação ou ao objecto temido, dá-se imediatamente uma resposta de ansiedade (por exemplo, pensamentos catastróficos, coração a bater acelaradamente, tremer, apertos no peito, tremer, etc). Como estes sintomas de ansiedade são muito desagradáveis e provocam sofrimento, o fóbico tende a evitar ou a fugir das situações ou objectos que teme. A fobia pode provocar sofrimento ou ansiedade até um ponto em que pode interferir , de modo importante, na vida do indivíduo (afectar a vida profissional, pessoal). Ou seja, o medo sentido em relação ao objecto ou situação temida não é proporcional com o perigo ou ameaça real dessa situação.

Há muito tipos diferentes de fobias e os seus diferentes subtipos têm características muito diferenciadas. As fobias são um transtorno bastante frequente na população geral, estimando-se que tenha uma prevalência entre 4,5 a 11,8% (Piccoloto, Pergher, Wainer, 2004). Todavia, só um pequeno número de pessoas procura ajuda psicológica, pois muitos dos fóbicos aprendem a "conviver" ou a "suportar" a (s) sua (s) fobia (s), desenvolvendo formas de evitar o objecto ou situação que temem. Mas esta evitação não resolve o problema e para além disso, implica um sofrimento elevado para a pessoa.

Frequentemente as pessoas que sofrem de fobias podem ser alvo de troça de pessoas à sua volta (amigos, familiares, etc): as pessoas sabem que o medo em questão não tem uma base racional (incluindo o fóbico), mas as dificuldades para superar esse medo são demasiado elevadas para o conseguir sozinho.



Origem das Fobias



Tem sido adiantadas diversas explicações para o aparecimento de fobias. O condicionamento clássico pode ser descrito da seguinte forma: se associar um estímulo incondicionado a um estímulo neutro, este pode adquirir propriedades do primeiro, transformando-se num estímulo condicionado. Para exemplificar esta situação, podemos usar a situação descrita pela primeira vez por Ivan Pavlov:

- Se colocarmos comida (estímulo incondicionado) em frente a um cão, ele vai salivar (resposta incondicionada). Se tocarmos uma campainha (estímulo neutro), imediatamente antes da apresentação de comida (estímulo incondicionado), e se repetirmos este processo de associação, o cão passa a salivar com o tocar da campainha, mesmo sem a comida. Assim, apresentar a campainha (estímulo condicionado) provoca a salivação (resposta condicionada).

Outra explicação para as fobias são os processos de modelagem ou aprendizagem vicária. Isto refere-se à aprendizagem do indivíduo por meio da observação de modelos. Neste sentido, uma pessoa pode aprender padrões de resposta a certos estímulos, a partir da observação de outras pessoas reagindo a tais estímulos.

Outro factor que pode contribuir para as fobias é a transmissão de informações/ instruções (Rachman). Por exemplo, se forem transmitidas muitas informações negativas em relação a um objecto/ situação, ele pode ganhar propriedades aversivas.

Para Seligman (1971), as fobias podem resultar de uma combinação de aspectos biológicos e de aprendizagem.



Tratamento



Como vimos, a aprendizagem pode ter um papel importante no desenvolvimento das fobias. Da mesma forma, o medo pode ser desaprendido. Parte do tratamento tem a ver com um contacto repetido do fóbico com aquilo que teme, até que o medo seja desafiado e enfraquecido, acabando com o ciclo vicioso de reforço negativo que mantém os sintomas. Algumas das técnicas usadas são a dessensibilização sistemática, a modelação, a exposição imaginária, a restruturação cognitiva, o relaxamento aplicado, etc.

O tratamento farmacológico "não apresenta um benefício significativo e estável a longo prazo para o tratamento das fobias específicas" (Piccoloto, Pergher, Wainer, 2004), para além do risco de desenvolver dependência de psicofármacos.



Glossário de Fobias



Agorafobia - medo de espaços abertos e/ou com muitas pessoas, como centros comerciais, praças, jardins, lojas apinhadas, etc. A agorafobia leva ao comportamento de evitação, provocado por lugares ou situações onde seria difícil ou embaraçoso sair ou escapar, caso surja uma crise de pânico ou algum mal estar (metro, transportes públicos, multidões, auto- estrada, caves, etc).

Amaxofobia - medo de andar de carro/ conduzir

Astrapefobia -medo de relâmpagos

Atelofobia - medo da imperfeição.

Aviofobia - medo de viajar de avião.

Ciberfobia - medo dos computadores.

Cinofobia- medo de cães

Claustrofobia - medo de lugares fechados, como elevadores, túneis e ambientes pouco ventilados.

Climacofobia - medo de escadas.

Eritrofobia- medo de se ruborizar, corar, em frente a outras pessoas

Glossofobia -medo de falar em público.

Hipsiofobia ou altofobia - medo de altura.

Logofobia- medo das palavras (do que pode dizer-se)

Rupofobia - medo de sujidade, de ser contaminado ao tocar objetos ou pessoas.

Tanatofobia- medo patológico da morte

quarta-feira, 29 de julho de 2009

amor platônico

Amor Platônico
Amor Platônico
:: Acid ::

Você pensa que amor Platônico é ficar apenas desejando aquela(e) garota(o) linda(o) da escola que você sabe que nunca vai botar as mãos? Pense novamente. Após a leitura deste artigo, você nunca mais vai encarar o amor da mesma forma.

Entrevista com
The Holographic Paradigm and other paradoxes.', VAUTO, WIDTH, 350, HAUTO)" onmouseout=nd();>Renée Weber, por Scott Minners, extraída do livro A visão espiritual da relação Homem & Mulher; Ed. Teosófica

Todos já ouvimos falar de amor platônico e presumimos que ele está relacionado com a filosofia de Platão. O que é isso, exatamente?
O amor platônico é o mais incompreendido de todos os conceitos de Platão. As pessoas, que em sua maioria não conhecem a obra de Platão, pensam que amor platônico significa amor ascético ou assexuado. Isso não é verdade. Em O Banquete, Platão apresenta o amor sexual como um ato natural, mas com raízes infinitamente mais profundas.

No pensamento de Platão existe um princípio cósmico sobre o amor?
Sim. Para Platão o amor é um princípio cósmico. Ele afirmou que o amor é uma escada com sete degraus, que vão do amor por uma pessoa até o amor pelas realidades superiores do universo. Todo o livro O Banquete, sua mais importante obra sobre esse assunto, é dedicado ao amor em seus diversos aspectos. Ele diz que, mesmo que eu me apaixone por uma pessoa, atraído por qualidades, fixar-me exclusivamente nessa pessoa é permanecer no primeiro degrau de uma escada que possui muitos outros.
O passo inicial nessa escada, para a maioria das pessoas, ocorre através do amor físico. Platão diz que o ser humano busca a imortalidade através da pessoa amada, por meio da procriação. Entretanto, fixar-se nesse primeiro degrau é permanecer parado, em comparação a tudo o que uma pessoa pode vir a ser.
Isso não quer dizer que Platão negue o corpo ou o amor físico. Ele apenas afirma que, se eu deixar de ampliar esse relacionamento e não subir até os outros seis degraus, irei permanecer estagnado. Os passos seguintes serão um desdobramento natural da condição humana.

Aonde mais o amor pode levar? Como ele pode crescer até dimensões maiores?
O diálogo completo de O Banquete é a resposta de Platão a essa pergunta. No livro, diversas figuras da sociedade ateniense estão reunidas discutindo a natureza, o sentido e as implicações do amor. Elas fazem várias descrições de amor, todas unilaterais, embora não falsas, até chegar a vez de Sócrates. Uma das pessoas disse que o amor nos faz adotar atitudes nobres para sermos merecedores do amado. Outra afirmou que o amor é uma espécie de frenesi e loucura, e outros, como Aristófanes, classificaram-no como a busca da nossa outra metade.
Você poderia perguntar como é que a nossa "outra metade" se extravia. Segundo Platão, Aristófanes disse que todas as pessoas têm corpos duplos e dupla face. Haveria três tipos de humanos no mundo. Na figura homem/homem, o corpo todo era formado por figuras masculinas. Um outro tipo seria composto por elementos femininos, e por último haveria o masculino/feminino.

Seria um ser andrógino?
Sim, uma figura andrógina, com uma metade feminina e outra masculina. Trata-se, na verdade, de uma fábula, um mito encantador, destinado a revelar um ponto muito profundo. Segundo Aristófanes, esses seres duplos cometeram transgressões contra os deuses; como castigo, foram divididos ao meio. Sob essa perspectiva, o amor é literalmente a busca da outra metade.
Essa fábula tem implicações muito abrangentes em termos da metafísica e da ética de Platão. É um outro modo de afirmar que não somos seres completos, e que os movimentos do amor são uma busca de complemento.

Platão diz que o amor "é uma loucura que é dádiva divina, fonte das principais bênçãos concedidas ao homem."
Exatamente. Ele tem uma visão muito exaltada do amor entre os sexos e, na verdade, não quer que subestimemos o seu alcance e significado. Acho que ele emprega o termo loucura para se referir ao primeiro degrau, porque, sob a influência da paixão física, perdemos de vista perspectivas e prioridades. A alma anseia tanto pelo contato com a outra pessoa que perde o juízo.
Quando você está apaixonado, é como se o universo estivesse concentrado na outra pessoa. Isso não é necessariamente falso. Platão diz que, em certo sentido, o universo realmente está nessa pessoa. Você só precisa transformar essa dimensão e ver não apenas a pessoa, mas o universo nela.

Mas, no primeiro nível da escada, esse seria apenas um tipo de amor com motivação pura ou incluiria também uma relação amorosa normal, com suas doses de motivação egoísta?
Essa é uma pergunta vital para compreender a ótica de Platão sobre o amor. Tudo o que ele disse em O Banquete - ao amar uma pessoa você está amando o universo e vice-versa - relaciona-se ao amor genuíno, sem egoísmo. Ele jamais apóia o relacionamento físico apenas como meio de obter prazer.

Seria correto dizer que, para Platão, o relacionamento sexual significa mais que um impulso instintivo, porque poderia colocar a pessoa na senda do amor autotranscendente?
Sim, mas com a ressalva que você acabou de levantar: desde que seja uma paixão genuína, carinhosa e abnegada. Em todos os diálogos de Platão, o uso do outro simplesmente para uma gratificação egoísta se dissocia dessa senda; é uma cilada, um perigo, não é amor e não levará a lugar algum.
O amor platônico é tão amplo e universal que, embora comece como amor pela forma bela, termina como o amor pela própria beleza, um princípio eterno do universo. Você é levado, de um modo muito natural, a perceber que todas as formas belas são dignas de amor, se torna sensível a todas elas. Platão emprega constantemente o termo beleza; a beleza das idéias toma-se tão ou mais real que a beleza física.

Ao universalizar o conceito de beleza manifestada na forma, Platão a vincula ao amor?
Amor e beleza estão ligados. Você vê beleza quando está amando. À medida que progride, você sente por todas as formas belas a espécie de exaltação que experimentou quando se apaixonou pela primeira vez. Quando permite que o amor o leve para a frente, você sai do particular em direção ao múltiplo.
Em seguida, você vê que a beleza da mente é mais maravilhosa que a beleza da forma. Platão afirma que você se apaixona pela qualidade da mente de uma pessoa mesmo que sua forma física não seja tão graciosa. Essa é uma progressão do concreto para o imaterial, sob a influência e inspiração do amor.

Esse é o passo número dois?
Não. O passo número dois é amar todas as formas físicas belas. O terceiro passo é amar a beleza da mente, independente da forma física à qual ela está associada.

E qual é o passo seguinte?
O quarto passo da escada do amor é a ética - o amor pelas práticas belas. Envolve integridade, justiça, bondade, consideração - características que também contêm beleza e impelem ao amor. É um passo mais abrangente e universal. Ele conduz ao degrau número cinco, que é o amor pelas instituições belas.
Esse quinto estágio diz respeito ao modo como a sociedade funciona quando suas instituições estão em equilíbrio e harmonia. Trata-se de amor pelo governo, pela cultura e por tudo que a obra A Republica cita como exemplo de instituições belas. O bem comum é o interesse primordial, não o bem do indivíduo, do núcleo familiar ou mesmo da pequena comunidade.
Desse ponto, a alma ascende para o sexto degrau da escada do amor. Ele é uma curva gigantesca para o alto, em direção ao universal e ao abstrato. A isso Platão chama "ciência", ou seja, conhecimento e compreensão. No sexto passo você se apaixona pela ciência, que articula não só as leis que governam o indivíduo, a família e a sociedade, mas algo que transcende o meio local. A beleza da ciência é universal, como o Teorema de Pitágoras.

Ou como a biologia da Terra?
Exatamente. E como o universo de Einstein, que inclui o cosmo inteiro. A ciência apresenta beleza, harmonia e ordem. Você pode se apaixonar por isso tão profundamente quanto por um homem ou por uma mulher. Os grandes cientistas como Einstein, Kepler, Galileu e Newton afirmaram que, ao articularem as leis do universo, estavam estudando a lógica, a ordem e a beleza da mente de Deus.
Giordano Bruno, filósofo e cosmólogo executado pela Inquisição em l600, preferiu ser queimado na fogueira a negar seu insight científico de um universo infinito e interligado. Ele manifestou uma paixão tão profunda pelas leis do universo que defendeu sua visão assim como um homem defenderia a mulher amada de uma agressão. Preferiu a morte à negação desse amor. Isso é amor verdadeiro.

E o sétimo degrau?
Sócrates fala sobre ele em O Banquete. Você sabe que algo importante está para ser dito quando ele começa a falar, alegando que aprendeu tudo com uma sacerdotisa sagrada chamada Diotima. Nesse ponto, Platão prepara a audiência para esperar algo importante e profundo, e não nos desaponta.
Diotima afirma existirem os mistérios menores e maiores do amor. Os mistérios menores são os quatro primeiros degraus. Mas, ao explicar como ascendemos na escada, ela se detém; há uma espécie de momento solene no discurso. Ela diz a Sócrates: "Esforça-te, por favor, por estar o mais atento possível".
Sempre que um personagem de Platão diz isso, você sabe que ele vai articular um ensinamento esotérico. É um momento cercado de grande solenidade, onde o autor chama a atenção para algo importante.
Os mistérios maiores do amor (os degraus cinco, seis e sete) evoluem na direção da visão universal. Diotima afirma que, entre os passos seis e sete, passamos quase imperceptivelmente do mundano para as realidades superiores do universo. Platão emprega a palavra subitamente. Depois de passarmos por todos os degraus, ocorre, no sétimo passo, uma diferença de gradação; subitamente você vê não a manifestação da beleza, mas a beleza em si. Esse é o ponto alto dos sagrados mistérios. O amor se expressa como a manifestação eterna da beleza em si. Você se apaixona pela essência que torna belas todas as coisas.
Segundo o discurso de Diotima, em O Banquete, "apenas em tal comunhão, mirando a beleza com os olhos da mente, o homem será capaz de suscitar não projeções de beleza, mas realidades (pois ele entronizou não uma imagem, mas uma realidade), produzindo e nutrindo a verdadeira virtude para tornar-se o amigo de Deus, um ser imortal".

Amor: 5

Isso soa como um contato visionário com uma realidade ou verdade suprema.
É uma espécie de visão. É como ver o sol na alegoria da caverna, em A República. Depois de viver de costas para o sol e ver apenas sombras na parede, subitamente você vê a luz! É uma fusão com a forma amada, a integralidade; é uma espécie de imortalidade.
O amor mundano e físico é o início da busca da totalidade. O final é a visão do que está por trás do universo, do que o faz girar. Portanto, no sétimo degrau da escada do amor, apaixonar-se é unir-se à origem do ser. É uma espécie de doutrina mística do amor, e esse é o amor platônico. Trata-se de um ponto de vista comovente e inspirador, que transcende enormemente a idéia de ficar de mãos dadas com alguém.

Platão diria que o amor está no centro da vida universal?
Sim. Em O Fedro, ele utiliza uma outra metáfora para mostrar essa mesma idéia de amor, oscilando entre o mortal e o imortal, entre o específico e o universal, entre o concreto e o abstrato. Nessa obra, os amantes são impelidos a buscar regiões mais elevadas, formas mais puras de amor. Por isso, criam asas. As asas permitem que eles voem até a borda do universo, onde eles vêem as formas eternas, ou seja, a essência das coisas temporais.
Em seguida Platão expõe outra metáfora: a da carruagem puxada por dois cavalos, um branco e outro negro. O garanhão negro representa o amor egoísta, quando uma pessoa usa a outra para a autogratificação. Uma pessoa comandada pelo cavalo negro clama pela satisfação imediata dos seus desejos, sempre orientada pelo egoísmo. Se esse garanhão sombrio governa, ele perturba o equilíbrio da manada. Esse tipo de amor não conduz ao amor universal.
São afirmações como essas que revelam a tendência ascética de Platão. Ele adverte contra o tipo de amor excessivo, desequilibrado e autocentrado. Isso não é amor, em absoluto; é apenas amor-próprio. Mas se a pessoa ama verdadeiramente, o cavalo branco ajuda a governar, de forma que todo o grupo - o cavalo branco, o cavalo negro e o cocheiro - possa ascender em direção à "borda do céu" e visualizar as verdades eternas. O cavalo branco fornece equilíbrio com seu bom senso, integridade, altruísmo e interesse pelo outro.

O cavalo negro seria um símbolo dos sentidos físicos, enquanto o branco seria aquilo que está além dos sentidos?
Essa é a idéia, em termos gerais. Gif Orkut

E o condutor do grupo? O que ele simboliza?
Ele representa a alma e a visão da alma, o bom senso, a pureza, o desejar espiritual. O amor pode ser a própria carruagem, o veículo para nos conduzir a uma nova dimensão do ser e proporcionar vislumbres de outros estados de consciência, no próprio ato do amor.

Atualmente poderíamos dizer que Platão sustenta uma união sexual intensa e profunda como a antecipação do êxtase da união com a realidade espiritual divina que está por trás do universo. É a imortalidade do homem simples. É uma manifestação, mesmo que reduzida, da união divina. Por isso, os seres humanos certamente valorizam a experiência do amor e do sexo. Por meio de um amor sexual intenso, cada um de nós experimenta por breves momentos a autotranscendência e a abnegação.
No degrau número sete da escada, essa autotranscendência, que era breve e momentânea, transforma-se no estado natural onde passamos a habitar o tempo inteiro. O "eu" desapareceu no segundo plano. No primeiro plano passaram a brilhar as verdades eternas, o bem e a beleza, entendidos como indissolúveis e evidentes para a alma capaz de vê-los.


terça-feira, 28 de julho de 2009

AMORES MAL-RESOLVIDOS

Amores Mal Resolvidos
(Arnaldo Jabôr)

Olhe para um lugar onde tenha muita gente: uma praia num domingo de 40 graus, uma estação de metrô, a rua principal do centro da cidade. Metade deste povaréu sofre de "dor de cotovelo". Alguns trazem uma dor de estimação, mas o certo é que grande parte desses rostos anônimos tem um amor mal resolvido, uma paixão que não se evaporou completamente, mesmo que já estejam em outra relação.

Por que isto acontece? Tenho uma teoria, ainda que eu seja tudo, menos teórico no assunto. Acho que as pessoas não gastam o seu amor. Isso mesmo. Os amores que ficam nos assombrando não foram amores consumidos até o fim. Você sabe, o amor acaba. É mentira dizer que não. Uns acabam cedo, outros leva dez ou vinte anos para terminar, talvez até mais.

Mas um dia acaba e se transforma em outra coisa: lembranças, amizade, parceria, parentesco, e essa transição não é dolorida se o amor for devorado até o fim. Dor de Cotovelo é quando o amor é interrompido antes que se esgote. O amar tem que ser vivenciado. Platonismo funciona em novela, mas na vida real demanda muita energia sem falar do tempo que ninguém tem para esperar. E tem que ser vivido em sua totalidade. É preciso passar por todas as etapas: atração-paixão-amor-convivência-amizade-tedio-fim.

Como já foi dito, esse trajeto do amor pede ser percorrido em algumas semanas ou durar muitos anos. Mas é importante que transcorra de ponta a ponta, senão sobra lugar para fantasias, idealizações, em fim, todo aquilo que nos empaca a vida e nos impede de estarmos abertos para novos amores.

Se o amor foi interrompido sem ter atingido o fundo do pote, ficamos imaginando as múltiplas possibilidades de continuidade, tudo o que a gente poderia ter dito e não disse, feito e não fez. Gaste o seu amor. Usufrua-o até o fim. Enfrente os bons e maus momentos, passe por tudo que tiver que passar, não se economize. Sinta todos o sabores que o amor tem, desde o adocicado do inicio até o amargo do fim, mas não saia da história na metade. Amores precisam dar a volta ao redor de si mesmo, fechando o próprio ciclo. Isso é que libera a gente para ser feliz novamente.

Amor: 6


Arnaldo Jabôr.

domingo, 26 de julho de 2009

estraterrestres

Depois de ler um desabafo do Iulo, fiz um comentário aparentemente nonsense. Para não parecer um lunático, explicarei minha teoria: me considero parte da Geração ET do Fantástico.

ET de Varginha
Imagem: Alexandre Jubran

Fazem parte dessa geração os nascidos entre 1984 e 1986, aproximadamente, mas pode respingar um pouco pra cima ou um pouco pra baixo. A característica que melhor identifica seus integrantes é ter sido assombrado pelos ETs do Fantástico. Os que eram só um pouquinho mais velhos achavam ridículo, os que eram só um pouquinho mais novos ainda não tinham muita consciência de nada, mas o pessoal 84-86 estava numa idade muito impressionável e ficava apavorado com os relatos sobre alienígenas que apareciam todo domingo na TV em meados da década de 90 – em especial o ET de Varginha e o terrível, apavorante e macabro ET da Autópsia.

ET da Autópsia

Este grupo, na verdade, está num grande limbo. Não pertenceu a nenhum grande movimento, não foi pioneiro em nada, e hoje vive com os pés bem plantados no chão. É a geração intermediária entres os grunges da MTV dos 90’s e os emos da MTV dos 00’s. Embora tenha participado da explosão da informática, veio depois dos verdadeiros “dinossauros” que já programavam os velhos 486 e máquina anteriores, mas também chegaram antes do pessoal que já pôde ter máquina digital, orkut e fotolog com 10 anos de idade.

Em termos televisivos, pegou a “reba” dos anos 80: Thundercats, Xuxa, Angélica, He-Man, Chaves, Caverna do Dragão, Cavalo de Fogo, Changemen, Jaspion, e por aí vai. Nada de propriamente seu. Em termos musicais, foi submetido à tortura do axé, da dança da bundinha, da perninha, do “bota a xeca pra sambar, ô-ô”. Em termos políticos, não participou do impeachment do Collor, não abraçou nenhuma grande causa das massas. Aqueles que ainda tentaram algo e se engajaram pela eleição do Lula em 2002 tomaram um tufo. Está totalmente desiludido com as instituições, porque nunca viu nenhuma que oferecesse qualquer possibilidade de melhorar concretamente a vida das pessoas.

Atualmente, essa geração está na fase de dar um rumo a suas vidas. Estão vivendo um grande dilema: apesar de não querer virar adulto de uma vez por todas, já não somos mais como os adolescentes “de hoje em dia”, que já fazem aos 12 anos coisas que a geração ET nem sonhava em fazer naquela época. Além disso, não queremos nos tornar um desses “adolescentes” de 25 anos que há por aí – queremos (ou já temos) nossa independência, pô. O que resta é tentar se virar: quase todos já trabalham; estão estudando ou recém se formaram; estão começando a definir o que é que realmente querem fazer pro resto de suas vidas.

A parte boa veio no futebol: a primeira Copa do Mundo que o pessoal da Geração ET do Fantástico lembra com detalhes foi justamente a do tetra. Nem tudo está perdido.

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ola pessoal espero que gostem do blog.......